16 novembro 2006
...
É tempo demais. Preciso da tua pelo na ponta dos meus dedos. O calor escaldante do teu corpo nu. As marcas das minhas unhas nas tuas costas, os meus dentes cerrados nas tuas coxas, as tuas lágrimas na minha boca, o teu cabelo a escorrer no meu peito, as tuas mãos coladas a mim, os meus braços na tua cintura, o teu peito nas minhas palmas, as minhas pernas e as tuas, o teu corpo em volta do meu, o teu cheiro na minha língua, o nosso suor, o nosso amor… a tua voz… Quero sentir as tuas palavras no meu rosto, murmuradas, gemidas, sussurradas de encontro às minhas. Quero sentir o teu prazer. Quero sentir-te. Quero-te a ti.
09 novembro 2006
Poema
A vida rimou-me contigo sem métrica regular, nem estilo definido. Numa qualquer Primavera buscou e desejou a inspiração, pedindo-a à praia, talvez num inocente flirt com o mar, numa conversa de serra e montanha. Mas a musa nem levantou os olhos do seu doce sonho, suave dormir. Ao primeiro verso branco o coração palpitou, o olhar brilhou, o sentimento chegou. A paixão invadiu aquela praia como tirando desforço de toda a injustiça deste Mundo… e de muitos outros. Selvagem, errática, destruidora… densa e sem leito. Arrastou-nos aos dois mar adentro, em êxtase, em pânico, presos um ao outro – com garras de existir apenas um nós, não dois. Ninguém assim ama impunemente, soprava o vento.
O Sol brilhou abrasador e secou-nos a pele deixando apenas sal branco e reflexos de luz. Serenou o vento no passar da quadra, no fim do soneto… e nós ali ficámos. Na linha sangrenta que nos atropelou, recolhendo restos, chorando memórias, mas juntos. Uma paixão assim, só se desperdiça por um amor maior.
O Sol brilhou abrasador e secou-nos a pele deixando apenas sal branco e reflexos de luz. Serenou o vento no passar da quadra, no fim do soneto… e nós ali ficámos. Na linha sangrenta que nos atropelou, recolhendo restos, chorando memórias, mas juntos. Uma paixão assim, só se desperdiça por um amor maior.
02 novembro 2006
Bela
Tinha olhos esverdeados, esquivos e desconcertantes. Da primeira vez iludiu-me, quase nem a percebi. Mas logo em seguida individualizou-se. Com nitidez. Pronunciei o gesto, repousei o olhar, esqueci os modos. E ela de imediato se apercebeu. E uma ansiedade se instalou. Eu por me ter deixado apanhar. Ela por ter sido apanhada.
Nesse dia ainda partimos sem nos conhecer. Mas tínhamo-nos reconhecido.
Nesse dia ainda partimos sem nos conhecer. Mas tínhamo-nos reconhecido.
25 outubro 2006
Porque a vida é curta de mais
Sei que estás aí. Ausente e distante. Longinquamente sem mim. E tu, sabes que estou aqui, igualmente sem ti.
Sinto a tua respiração pesada, os olhos molhados, as olheiras fundas. E tu sentes a mim. Sinto uma dor estacada no peito, imobilizando-o, puxando o ar a cada sopro, expirando quando eu inspiro. E cravando-se em cada respiração… E choramos, tu aí, e eu aqui.
E depois da noite vem outro dia, apenas porque o tempo não pára nunca. E quando a embriaguês da dor começa a sumir-se, escorrendo o escuro sentimento digerido pelas entranhas encrespadas… um brilhar luzidio recomeça. Reconheço-o como a um velho amigo que regressa a casa. A paixão aturdida, entrincheirou-se. O meu olhar magoado, embruxado, olvidou-a do campo de visão. Mas o amor não morre. E não recomeça, apenas ressurge. Como o destino.
E então olho de novo para ti. E começo a caminhar. A correr. Na verdade, voo. Sinto ainda uma lágrima ao canto do olho, uma cicatriz no coração. Mas acarinho-as e celebro-as. São a nossa marca. E simplesmente… não há mais tempo para gastar sem ti.
Sinto a tua respiração pesada, os olhos molhados, as olheiras fundas. E tu sentes a mim. Sinto uma dor estacada no peito, imobilizando-o, puxando o ar a cada sopro, expirando quando eu inspiro. E cravando-se em cada respiração… E choramos, tu aí, e eu aqui.
E depois da noite vem outro dia, apenas porque o tempo não pára nunca. E quando a embriaguês da dor começa a sumir-se, escorrendo o escuro sentimento digerido pelas entranhas encrespadas… um brilhar luzidio recomeça. Reconheço-o como a um velho amigo que regressa a casa. A paixão aturdida, entrincheirou-se. O meu olhar magoado, embruxado, olvidou-a do campo de visão. Mas o amor não morre. E não recomeça, apenas ressurge. Como o destino.
E então olho de novo para ti. E começo a caminhar. A correr. Na verdade, voo. Sinto ainda uma lágrima ao canto do olho, uma cicatriz no coração. Mas acarinho-as e celebro-as. São a nossa marca. E simplesmente… não há mais tempo para gastar sem ti.
18 outubro 2006
Amanhã vou encher-te de beijos floridos
Ofereci-te rosas quando jantámos a primeira vez. Banhei-te em pétalas vermelhas a primeira noite que passaste em minha casa. Quando fazes anos levo-te sempre uma rosa apaixonada. Dou-te flores silvestres a 20 de Março. Quase sempre… Mas comemoro sempre o 8 de Março com uma gerbéria colorida de vida. E lírios laranja salmão a 14 de Fevereiro. E quando casarmos vou plantar uma hera que nos abrace e brincos de princesa para ti. Para te elogiar sem que cores envergonhada. E duas amendoeiras.
Tulipas, costumo guardar para dias de desculpas… de rosa escuro. Nunca te pedi desculpas sem duas dúzias por testemunha de bom carácter... E perfumo de papoilas os quartos em que te seduzo.
Narcisos, gardénias, os belos jasmins, gerânios, dálias e amores-perfeitos. E tantas mais. Guardei para te dar amanhã.
Tulipas, costumo guardar para dias de desculpas… de rosa escuro. Nunca te pedi desculpas sem duas dúzias por testemunha de bom carácter... E perfumo de papoilas os quartos em que te seduzo.
Narcisos, gardénias, os belos jasmins, gerânios, dálias e amores-perfeitos. E tantas mais. Guardei para te dar amanhã.
11 outubro 2006
À beira-estrada
Na pele um travo frutuoso, de obra da terra, da época. Macios os beijos, deslumbrantes na entrega. As minhas mãos que te passeiam, como se te definissem a cintura, moldassem o ventre. E sinto a tua respiração acelerar. Sinto o choque, do frio que me habita, tocar o calor do teu corpo. Sinto os músculos contraírem-se, a pele arrepanhar-se, a penugem eriçar-se. E depois sinto o teu calor a invadir a minha mão. Simbiose. Sinto a harmonia celsia, sinto que lentamente já não sentes frio. Sinto que envolves a minha mão. Sinto que me sentes e já não a temperatura. E que não te toco, nem acaricio, nem afago… porque já não há eu e tu. Apenas um corpo que se beija à beira-estrada.
04 outubro 2006
Concede-me a honra... ?
E se eu te convidar para dançar? Como se fazia no tempo dos romances de príncipes e amores eternos, «A menina concede-me a honra desta dança?». E olhando-me de alto a baixo a tua irmã replicará o meu atrevimento. «O insolente!». Porque nem te conheço. Porque não a convidei a ela que é mais velha…
Mas a verdade é que te conheço melhor que a mim mesmo. Nesse azul em que te mostras mais que ao padre a confissão. Nesse azul te vi, me perdi, te conheci, nos sonhei…
A recusa da tua irmã, tu contentaste num sorriso mal escondido. Num agrado negado naquela noite por respeito fraterno… Eu espero. Dançaremos mais tarde.
Mas a verdade é que te conheço melhor que a mim mesmo. Nesse azul em que te mostras mais que ao padre a confissão. Nesse azul te vi, me perdi, te conheci, nos sonhei…
A recusa da tua irmã, tu contentaste num sorriso mal escondido. Num agrado negado naquela noite por respeito fraterno… Eu espero. Dançaremos mais tarde.
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